terça-feira, 17 de julho de 2012

Às vezes...

Sweet little words.

"A vocês, eu deixo o sono.
O sonho, não!
Este eu mesmo carrego."
(Paulo Leminski)

"De ontem amor
Grandes imensos bosques
Sem você perdidos."
(Autor desconhecido)

"Amar é um elo
Entre o azul
E o amarelo"
(Paulo Leminski)


Haicai é uma forma poética de origem Japonesa, que valoriza a concisão e a objetividade. Os poemas, originalmente, tem três linhas, contendo na primeira e na última cinco sílabas, e sete na segunda.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Tão...

Cinema Americano
Composição: Rodrigo Bittencourt
Thaís Gulin


"Tão homem, tão bruto, tão coca - cola, nego.
Tão Rock 'n'  Roll
Tão bomba atômica, tão amedrontado. 
Tão burro, tão desesperado.
Tão jeans, tão centro, tão cabeceira, tão Deus.
Tão raiva, tão guerra, tanto comando e adeus.
Tão indústria, tão nosso, tão falso.
Tão papai Noel.
Tão Oscar, tão triste, tão chato.
Tão ONU e Nobel.
Tão hot dog, tão câncer social, tão Narciso.
Tão quadrado, tão fundamental.
Tão bom, tão lindo, tão livre.
Tão Nova Iorque.
Tão grana, tão macho, tão western.
Tão Ibope.
Racistas, paternalistas, acionistas...
Prefiro nossos sambistas.
A ponte de safena, Hollywood e o sucesso.
O cinema, a casa branca, a frigideira e o sucesso.
A Barra da Tijuca, Hollywood e o sucesso.
Prefiro nossos sambistas.
Prefiro o poeta pálido, anti - homem, que ri, que chora.
Que lê Rimbaud, Verlaine, que é frágil, que te adora.
Que entende o triunfo da poesia sobre o futebol, 
Mas que joga sua pelada todo Domingo debaixo do sol.
Prefere ao invés de Slayer ouvir Caetano, ouvir Mano Chao.
Não que Slayer não seja legal e visceral.
A expressão do macho americano é normal.
Esse medo da face fêmea dita por Cristo é natural.
É preciso mais do que um soco pra se fazer um som, um homem, um filme.
É preciso seu amor, seu feminino, seu suingue.
Pra ser bom de cama é preciso muito mais que um pau grande.
É preciso ser macho, ser fêmea, ser elegante...
Prefiro nossos sambistas..."

Quer ouvir? Clica.

Cada vez mais...

Once upon a time...

Uma das esperas mais longas que se pode ter na vida é a espera pelo príncipe.
Algumas, de tanto esperar, desacreditam, e assim a vida deixa de ser um conto de fadas. Chega de abóboras, sonos de cem anos, maçãs envenenadas e bailes.
Os grandes amores já são motivo de piada, por que homem de carne e osso não perde seu tempo atrás de você na chuva.
E o cavalo branco? Já morreu de velhice, o coitado...
Onde havia o encantado, agora resta o que satisfaz - se com várias, pois uma não pode ser boa o suficiente.
Importam - se apenas com seus próprios umbigos. Não fazem convites, não demonstram expectativas futuras, não ligam no dia seguinte, nem no outro, nem no outro, ou no outro...
Ela, afogando as mágoas no copo, continua perdendo seus sapatos, que provavelmente ninguém vai achar.
O amor próprio toma conta, tentado aliviar o vazio. Será mesmo a incapacidade de amar?
E cada vez é preciso mais e mais para que consiga encarar a situação.
Usar por uma noite, e depois? Ah, depois que se dane, já que agora ela paga na mesma moeda.
Mas algo não mudou por dentro: Filmes ainda a fazem chorar. Beijos apaixonados fazem - na acreditar no fundo, bem lá no fundo, que um dia irá encontrar alguém que será diferente de todos.
Há algo adormecido dentro da princesa que renegou sua tiara, desceu da torre e não aceitou seus sentimentos.
Ela correu o quanto pode, mas não conseguiu desvencilhar - se do amor, pois esse nunca foi arrancado do peito dela.