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sábado, 30 de novembro de 2013


Você não lembra, mas eu via girassóis em teus olhos.
Meio verdes, meio amarelos. Sempre com um brilho inigualável.
Você, certamente, não lembra, mas, às vezes, te escrevia cartas. Sempre dizia que te amava. 
É que, dia desses, a confusão de cores dos teus olhos e a minha letra trêmula de nervosismo invadiram minha mente. 
Pequenas coisas que os anos não apagam.
Pequenas coisas que novas coisas nos fazem esquecer.
Hoje, talvez, os girassóis estejam mais iluminados, brilhem por novas flores. Provavelmente não os verei novamente.
Será que as cartas não se tornaram um amontoado de papel picado?
Continuo a escrevê - las, mesmo tendo certeza que nunca passarão de um amontoado de papéis depositados na última gaveta de meu guarda - roupa.
Meus olhos, que quando viam teus olhos de girassol, eram secos, agora estão molhados. A ausência dói.


terça-feira, 16 de julho de 2013

Tão tarde...

Havia esperança em mim.
Esperança apesar dos anos, apesar da distância.
Meu coração ainda palpitava...
Palpitava por você...
Enganei - me durante anos.
Fingi não te amar.
Em breve sua rosa irá desabrochar em seu colo. 
Meu conto de fadas havia acabado e eu não percebi...

You and Me.
Lifehouse

"Que dia é esse?
E em que mês?
Esse relógio nunca pareceu tão vivo...
Eu não consigo prosseguir, e eu não consigo volta...
Tenho perdido muito tempo...
Por que somos você e eu,
E todas as pessoas com nada a fazer, nada a perder.
Somos você e eu,
E todas as outras pessoas.
E eu não sei por que eu não consigo tirar os olhos de você.
Todas as coisas que quero dizer não estão saindo direito.
Estou tropeçando nas palavras.
Você deixou minha mente girando.
Eu não sei onde ir a partir daqui.
Por que somos você e eu,
E todas as pessoas com nada a fazer, nada a provar.
E somos eu e você,
E todas as pessoas.
E eu não sei porque eu não consigo tirar meus olhos de você.
Existe algo sobre você agora que não consigo compreender completamente.
Tudo que ele faz é bonito,
Tudo que ele faz é certo.
Por que somos você e eu,
E todas as pessoas com nada a fazer, nada a perder.
E somos você e eu,
E todas as pessoas,
 E eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você.
Por que somos você e eu,
E todas as pessoas com nada a fazer, nada a provar.
E somos você e eu,
E todas as pessoas,
 E eu não sei porque não consigo tirar meus olhos de você.
Que dia é esse?
E em que mês?
Esse relógio nunca pareceu tão vivo..."

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O nascer.


Nas redondezas da praça Maciel Pinheiro, no centro do Recife, via uma menina correndo.
Tinha olhar felinos, era muito faceira.
Corria, saltitava com um grande livro preso entre os pequenos braços.
Guiou - me até uma série de antigos casarios. 
Estendia a mão e quase podia sentir seu toque, mas ninguém a via.
A jovem Chaya circundou - me e foi em disparada em direção a praça. 
Virei - me e vi algo que reluzia como o  mais límpido e puro ouro.
Os casarões encaravam - me.
Fechei os olhos e senti Clarice, a Pernambucana Clarice.
O instinto me disse que ali havia morado.
Aproximei - me do sobrado cor - de - rosa, com marcas de reforma superando o tempo passado.
Tinhas janelas retangulares, altas, largas.
Por uns breves minutos pude ver novamente a figura da menina de cabelos curtos e levemente loiros e olhos verdes amendoados com o livro aberto, prostrado sobre os braços, fascinada.
Eu estava no reduto de minha alma, finalmente havia encontrado meu lugar, havia encontrado minha luz.
Cinco passos para trás, mais afastada do que interditava a porta, concentrei - me e pude recriar, ali, o refúgio judeu existente.
Caminhei ao encontro da estátua da mulher imponente, sempre com sua máquina de escrever no colo, sua vida transmitida por letras.
Não conseguia assimilar tudo, olhava - a e sentia vontade de me desfazer em prantos, de estar eternamente em sua forte presença.
As maçãs do rosto bem marcadas, a falta de atenção de todos ao redor.
Eu chorava. E como chorava.
Chorava por tê - la encontrado, e por ter demorado para chegar até aquele local.
Chorava pelo sentimento de pertencimento que me envolvia.
Chorava por que meu peito foi inundado pelo existir.
Puxei o ar com toda força pra dentro dos meus pulmões, na tentativa de descolá - los para que a vida me tomasse.
E respirei. E nasci.

quinta-feira, 28 de março de 2013

My universe will never be the same.


"Quando diferentes mundos juntem - se, o céu se ilumina, as faíscas invadem o espaço cósmico.
Mas a união de dois universos opostos, de duas dimensões paralelas, é quase sempre fatal..
Por que um planeta não muda sua rota pela atração exercida por outro. A força que o mantêm em seu estado estacionário de energia é sempre maior.
Acontece que o planeta de pequenas dimensões sente - se tentado a arrastar o outro para sua órbita, mesmo sabendo que é um esforço previamente fracassado."

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Faça sim.


Não faça isso comigo, menino.
Me olha nos olhos, cativa e depois vai embora.
Não faça isso comigo, menino.
Me chama de moça, me adoça e me enamora.
Não faça isso comigo, menino.
Me prende em seus braços, me beija e desvenda meus mistérios.
Mergulha em meu ser, me faz crer nas coisas mais belas.
Não faça isso comigo, menino.
Me apaixonei. Só sei que foi assim.

Seus olhos claros.


Se eu corro.
A banda mais bonita da cidade.

"Eu quero guardar teu beijo na concha das mãos.
Teu cheiro eu levo feito mancha na roupa, que não lavo não.
Sou alvo pros teus olhos claros parecidos com essa estação,
E adoro os efeitos sonoros de quando você sussurra absurdos nos ouvido do meu coração [...]"

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Trouble.


Atrações fatais. Atrações por problemas.
Você era um erro. Eu sabia disso. Eu me apaixonei por você.

I knew you were trouble
Taylor Swift

"'- Eu acho...
 que quando tudo termina, apenas volta em flashes, sabe?
É como um caleidoscópio de memórias. 
Tudo volta isso, menos ele.
Acho que parte de mim sabia, desde o segundo em que o vi, que isso ia acontecer.
Na verdade, não é tudo oque ele disse ou qualquer coisa que ele fez... 
Foi... O sentimento que veio junto com ele, 
E a coisa louca é, eu não sei se vou me sentirei assim novamente,
Mas eu não sei se eu deveria.
Eu sabia que seu mundo tinha mudado muito rápido,
E... queimou muito intensamente.
Mas eu pensei... Como pode o diabo arrastar você  para alguém que parece...
...Com um anjo quando sorri pra você?
Talvez ele soubesse que...
...quando ele me viu, eu  perdi o equilíbrio,
A pior parte de tudo isso não foi perdê - lo, 
Foi me perder.'
 Era uma vez,
Alguns erros atrás.
Eu estava na sua mira, você me pegou sozinha.
Você me encontrou, você me encontrou, você me encontrou...
Acho que você não se importou, e eu gostei disso.
E quando eu me apaixonei intensamente, deu um passo para trás
Sem mim, sem mim, sem mim...
Ele está muito longe quando está ao meu lado,
E eu percebo que a culpa e minha.
Porque eu soube que você era problema quando apareceu.
Que vergonha de mim agora...
Me levou a lugares que eu nunca tinha ido,
Até me por no chão.
Eu soube que você era problema quando apareceu.
Que vergonha de mim agora...
Me levou a lugares que eu nunca tinha ido,
Até me por no chão.
Agora estou deitada no chão frio e duro.
Problema. Problema. Problema.
Problema. Problema. Problema.
Sem desculpas. Ele nunca vai ver você chorar.
Finge que não sabe que ele é o motivo pelo qual 
Você está se afogando, você está se afogando afogando, 
Você está se afogando.
Eu ouvi em sussurros na rua que você seguiu em frente.
Um novo furo em seu cinto, é tudo que serei,
Agora eu vejo, agora eu vejo, agora eu vejo...
Ele foi muito longe quando me conheceu,
E percebi que a piada era sobre mim.
Eu soube que você era problema quando chegou.
Que vergonha de mim agora.
Me levou a lugares que eu nunca tinha ido, 
Até me por no chão.
Eu sabia que você era problema quando chegou.
Que vergonha de mim agora.
Me levou a lugares que eu nunca tinha ido.
Até me por no chão duro e frio.
Problema. Problema. Problema.
Problema. Problema. Problema.
E o medo mais triste chega causando arrepios.
De que você nunca amou a mim, ou a ela, ou a ninguém...
Ou a coisa alguma...
Eu soube que você era problema quando chegou.
Que vergonha de mim agora.
me levou a lugares que nunca tinha ido,
Até me por no chão.
Que vergonha de mim agora.
Eu soube que você era problema quando chegou.
Que vergonha de mim agora.
Me levou a lugares que nunca tinha ido.
Agora eu estou deitada no chão frio e duro.
Problema. Problema. Problema.
Problema. Problema. Problema.
'- Eu não sei se você sabe quem é até que perca quem você é'" 

Apêndice.


Sentia - me um anexo daquele amor.
E o nutria.
Minha única razão de existir era o sentimento ao qual me encontrava acoplada.
Suprimia minhas vontades por aquele amor.
Como anexo, minha função era alimentar, ser comburente, e mais nada.
Mas então, do dia pra noite, ele começou a doer.
E como incomodava...
Queimava, ardia, arranhava.
Não era natural...
Fui ao médico. 
Diagnosticou. Apendicite cordial.
Recomendou: livre - se o quanto antes. Retire - o.
Viverá novamente. Normalmente.
O ser lato era eu, imersa no topor desse sentimento.
Agarrei - o. Puxei. Desprendi. Libertei - me.
Latejou.
A cicatriz deixada incomodava quando estava frio. Sentia falta de algo que me já não estava.
Os dias se passaram... O frio foi embora.
O verão acalentou meu coração, aqueceu.
O desespero inicial passou, mas os sentimentos nunca mais foram os mesmos.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Minha Doce Clarice...



#92AnosDeClariceLispector (:

Vivendo pela metade...

Quase linda história de amor
Composição: Jay Vaquer
Jay Vaquer

"De onde vens,
Leva o que eu nem sou,
E fui muito mais da
Da boca pra dentro.
Foi por um triz,
Noutra condição.
"Muito prazer, sejamos felizes."
Se a obra do acaso acabou na quase linda história de amor,
Vou guardar lembranças do que não viveremos.
Tão bom enquanto não durou tanta perfeição...
Por onde vais traz o que eu já fui,
E falta - me a vez de uma vez por todas.
O que não fiz,
Quem me dera ter como voltar naquele momento.
Se a obra do acaso teimou na quase linda história de amor...
Vou guardar lembranças do que não viveremos...
Tão bom enquanto não durou tanta perfeição!
Sai pela rua sem saída que você não escolheu ser...
Segue a nossa procissão!
Levando imagens carregadas,
Cores que nunca existiram...
...Nesse mundo de se sonhar um sonho a dois...
Lá onde estás faço uma oração,
E a sensação de paz e conforto..."

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Looking at the door.


"Meu coração palpita enquanto não vejo tua silhueta atravessar a porta.
As mãos tremem, respiração ofegante.
Os segundos tornam - se minutos. Os minutos tornam - se horas.
O rosto arde, inflama...
Encontro - me em uma agonia devastadora que só cessará quando os teus olhos estiverem nos meus, quando você me sorrir e me desejar uma boa tarde, com uma malícia implícita, que só eu consigo enxergar."

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Love song.


Canções de amor sempre acompanharam - me, não importa a situação ou o momento.
Essas são especiais.
Há quem diga que trata - se apenas de barulheira ininteligível. Eu digo que são belíssimas dentro de quem conseguem tocar.
Tamborilam no baque surdo do coração. São as canções Japonesas.
Já foram apresentadas anteriormente aqui. A desbravadora, Kurenai - X Japan.
Em meados de agosto, foi a vez da belíssima Only human - Key, com toda sua doçura e melodia perfeita.
A mais especial de todas veio entre as duas já citadas, e marcou um período da minha vida: Last song - Gackt.
Novas músicas surgiram, igualmente cheias de emoção e sentimento.
A que vos trago hoje, conheci através de um vídeo que afirmava ser "A música mais riste do mundo."
Não discordo.
A fúria, a dor, o som afloram - se de maneira fantástica, eu posso sentir.
A descrição do vídeo antecipa o que estamos prestes a presenciar:

"Um homem despedaçado pelo amor. Masayoshi Yamasaki é um ser humano com a alma devastada por uma tristeza imensamente profunda, tão cheia de sentimentos e tão cheia de expressão. A música "One more time, one more chance" é o espelho onde ele consegue, de forma brilhante, refletir todos esses sentimentos tão intensos que são revividos profundamente a cada vez que a canta. Ela também é encerramento do anime Byousoku 5 (5 centímetros por segundo).
Os artistas japoneses são muito reservados, e nunca se soube o fato que deu origem à esta melodia tão marcante. Masayoshi Yamasaki tinha apenas 25 anos quando gravou este clipe. Atualmente ele continua a cantar esta música, que é seu primeiro grande sucesso."

Sem mais delongas...

One more time, one more chance.
(Mais uma vez,mais uma chance.)
Masayoshi Yamasaki

"Quanto mais terei que perder até que meu coração seja perdoado?
Quanta dor mais terei que sofrer para te encontrar novamente?
Mais uma vez.
Oh estações, não desapareçam. 
Mais uma vez, enquanto nos divertíamos por ai.
Nas ocasiões em que brigávamos, era sempre eu quem desistia primeiro, certo?
Sua personalidade egoísta fez com que eu me apaixonasse ainda mais.
Mais uma chance.
As memórias pararam minhas pernas.
Mais uma chance.
Não consigo escolher meu próximo destino.
Estou sempre procurando a sua imagem em algum lugar.
Na plataforma oposta, na janela junto ao beco,
Mesmo sabendo que você não estaria em um lugar assim.
Se meu desejo pudesse se tornar real, 
Agora mesmo eu voltaria pra você.
Não existiria nada que eu não pudesse fazer, 
Eu te mostraria que colocaria tudo à risca e te abraçaria.
Se apenas quisesse distrair a solidão,
Qualquer uma seria suficiente.
As estrelas parecem estar caindo pela noite,
Por isso não consigo mentir para mim mesmo.
Mais uma vez.
Oh estações, não desapareçam.
Mais uma vez,
Enquanto nos divertíamos por ai.
Estou sempre procurando a sua imagem em algum lugar.
Mesmo atravessando a rua, mesmo dentro dos meus sonhos,
Mesmo sabendo que você não estaria em um lugar assim.
Se um milagre pudesse acontecer,
Agora mesmo eu te mostraria um novo amanhã,
Quem serei daqui em diante,
E também as palavras que nunca te disse: "Eu te amo!"
As memórias do verão estão retornando.
De repente, a minha pulsação desapareceu.
Estou sempre procurando por sua imagem em algum lugar.
Na escuridão das ruas, no Sakuragi - Cho,
Mesmo sabendo que você não viria a um lugar assim.
Se meu desejo pudesse se tornar realidade,
Agora mesmo eu voltaria pra você.
Não existiria nada que eu não pudesse fazer,
Eu te mostraria que colocaria tudo à risca e te abraçaria.
Estou sempre procurando por um fragmento seu em algum lugar,
Numa loja de viajantes, numa loja de jornais na esquina,
Mesmo sabendo que você não estaria em um lugar assim.
Se um milagre pudesse acontecer,
Agora mesmo eu te mostraria um novo amanhã,
Quem serei daqui em diante,
E também as palavras que nunca te disse: "Eu te amo!"
Eu acabo sempre procurando por seu sorriso em algum lugar.
No cruzamento dos trilhos, esperando o trem passar,
Mesmo sabendo que você não estaria em um lugar assim.
Se nossas vidas pudessem recomeçar, 
Todas as vezes eu voltaria para você.
Não haveria mais nada que eu pudesse querer que fosse mais precioso que ter você de volta."

Para assistir ao vídeo, é só clicar aqui (:
Perceba que após o primeiro "Eu te amo!" ele engole o choro.
Em breve voltarei com mais <3

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Minhas linhas tortas...

... Minhas linhas frágeis, minhas linhas inimagináveis. 
Linhas de segunda - feira. De terça a tarde. 
Minhas linhas frágeis. Minhas linhas finas.
Minhas linhas cansadas.
Linhas não almejadas.
Minhas linhas calmas, minhas linhas palma.
Minhas linhas tortas, tuas linhas.
Tuas linhas, minhas linhas. Porta.
Nossas linhas sorte, nossas linhas azar.
E de tanto nos perdermos nas entrelinhas, 
De nosso, nada mais há.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Já sei que as flores de plástico não vivem...


As meninas recebem buquês nas mais diversas ocasiões.
Elas sempre estão lá, presentes, cumprindo o seu papel de encher os olhos alheios de lagrimas.
Vermelhas, imponentes.
Seguindo seu destino de rosa.
Não me agradam.
Sempre voluptuosas, cheias de lasciva, me ruborizam só de olhar.
Os meus amores não são assim, de pétalas escarlate.
Prefiro a longevidade longitudinal presente nos lírios.
Esses sim, delicados como só, apagam as mágoas das flores libidinosas deixaram.
Lírios são acariciadores de alma, de coração, de amor interno, amor fraterno, amor almático.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

As formas do amor.

Pra mim as músicas com referências à bissexualidade apareceram efetivamente quando "I kissed a girl", da Katy Perry tornou - se sucesso, mas isso não significa que foi o marco inicial, eu apenas não tinha me dado conta...
Esses dias, em meio a uma calorosa discussão a respeito de verdadeiras pérolas de grandes compositores Brasileiros (isso não foi uma ironia), ele me mostra Flor da idade, de Chico Buarque. Ok, nenhuma surpresa, a não ser o fato da atenção no refrão cantado de forma rápida que não nos deixa perceber que a 'quadrilha' em si é muito mais enrolada do que a escrita por Carlos Drummond de Andrade.
A quadrilha de Carlos é linear, enquanto a de Chico retrata a descoberta da sexualidade pelos jovens e faz com que a sua dança dê voltas e mais voltas, num bailar infinito...
Outra diferença é que o primeiro mostra o desfecho dos personagens, enquanto o outro nada diz a respeito...
Há quem fale que há uma clara menção ao incesto, mas isso eu deixo ao critério do leitor.
Vamos conferir?

A quadrilha
Carlos Drummond de Andrade

"João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para um convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou - se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.


Flor da idade
Composição: Chico Buarque
Chico Buarque.

"A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria.
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia.
A porta dela não tem tramela,
A janela é sem gelosia.
Nem desconfia...
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor...
N hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família.
A armadilha.
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha.
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha.
Que maravilha.
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor.
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua.
A gente sua.
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua.
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua.
E continua.
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor...
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa
Que amava Paulo que amava Juca que ama Dora que amava...
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita
Que amava dito que amava Rita que amava...
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto
Que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda quadrilha!
Que amava toda quadrilha!"

Quer ouvir? Já sabe, é só clicar!

terça-feira, 21 de agosto de 2012

I don't miss you.

Eu sonhava com ele...
De cabelos negros, não tão curtos, o suficiente para serem pretensiosamente desgrenhados.
Sorriso torto acolhedor, profano, misterioso, místico.
Olhos tão profundos quanto os mares gregos, nos quais eu poderia me perder sem medo de afogar.
Pele pálida, translúcida, que arde ao mais sutil toque da luz solar.
De estatura que me permitisse afundar o rosto em seu peito e inalar o aroma de um homem de óculos e orgulho de ter vasto conhecimento literário em grandes nomes como Rimbaud, Baudelaire, Lord Byron, Tolstoi, Nietzsche, Goethe, Wilde aos quais pretendia igualar-se um dia, mas que sabia reconhecer o talento e admirar grandes escritoras, tais quais Clarice, Cecília, Rachel, Virginia, Katherine, Florbela...
Que fizesse do café a sua maior droga.
Amasse gatos, fosse fiel aos cães.
Preferisse uma noite regada à Laranja Mecânica e até aqueles filmes estilo documentário ou com papel social patrocinados pela Petrobrás à festas abarrotadas de gente, com música alta, cheiro de álcool e sexo casual.
Que parasse tudo pela boa música de Chico, Tom ou Vinícius. Que refletisse enquanto a sinfonia embalava seus pensamentos. Neles, com certeza, estaria incluído o seu velho cigarro mental.
Que não dispensasse uma dose de conhaque, AC/DC, Bom Jovi, Aerosmith ou U2.
Poderia odiar física, mas se interessaria sobre a provável descoberta do Bóson de Higgs.
Seria homem de elogios sutis. Seria atencioso com as particularidades.
Aceitaria - me mesmo sendo de um clã inimigo de vampiros no RPG.
E diante de tanta conexão, nós viveríamos uma paixão sem precedentes.
A combustão imediata, segue consumindo tudo que vê pela frente. Queima, assim como nossos corações quando se aproximam.
Seria tanto e nós nunca satisfeitos com o que tínhamos, buscaríamos sempre mais e mais e mais até que tudo se extinguisse.
Acabado, nada mais pra ser devorado pelo nosso ardor.
A paixão sucumbiu à overdose e morreu de inanição.
Arrumaríamos nossas gavetas. Nossas coisas. Nossos corações.
E nada nele causaria os mesmos efeitos de antes. Borboletas não voariam desvairadas em meu estômago.
Era o fim pra ele também.
Ele seria perfeito pra mim em todos os gestos repetitivos. Sempre a mesma ação, sempre concordando, sempre consentindo. Cansaríamos um do outro.
Ele iria embora e eu não sentiria completamente nada, a não ser o aperto no peito comum de despedidas
E o que era tão pra sempre, virou: "Até um dia, quem sabe!".
E quando eu acordei desse devaneio que tive, percebi que o encanto está no que não se pode prever, no inimaginado.
Está na espontaneidade que só tem quem quer estar perto por admirar o que nunca viu em alguém, o que é único e o que traz discordâncias e divergências a serem discutidas.
Então se o cara dos meus sonhos aparecer , hei de sair correndo até a próxima esquina o mais rápido que puder!