100 anos sem ter envelhecido - 100 anos de Nelson Rodrigues no último 23 de Agosto. Dia que marca o centenário do Shakespeare brasileiro: um grande leitor da alma humana.
Com uma extensa obra que falou de amor, futebol, política, paixão, fidelidade, infidelidade... e também um grande profeta de grandes transformações no Brasil.
O que Nelson Rodrigues faria se estivesse vivo hoje?
Essa é a pergunta que fica.
Como viveria Nelson no mundo 'atual'? Como encararia as mudanças ocorridas desde 1980, ano de sua morte?
Nascido na cidade do Recife - PE (meu conterrâneo!) em 23 de agosto de 1912. Muda - se para o Rio de Janeiro ainda na infância, com apenas 4 anos de idade.
Passou a frequentar a escola aos sete anos, e desenvolveu a leitura de forma muito rápida. Em 1920, algo marcou a infância do escritor: um concurso de redação, onde todos deveriam escrever sobre um tema livre e a melhor seria lida em voz alta, perante toda a classe. A professora quase vai ao chão com a composição do autor, que relatava a história de um adultério. "O marido chega em casa, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando a janela e sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois ajoelha - se e pede perdão. Apesar de todo espanto causado ao corpo docente, não teriam como não reconhecer o talento do jovem. Houve um "empate" e então a outra redação foi lida.
Presenciava muitas discussões dos pais causadas pelos ciúmes que o genitor sentia da mãe. Uma fuga para ele, foram os livros. No início, lia romances leves, mais logo foi partindo para leituras mais 'pesadas'.Os autores eram bem distintos, mas no fundo, os livros falavam de uma coisa só: A morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.
O autor sentia falta do pai, muito envolvido com a política e o jornalismo. O irmão de Nelson, Mário filho, nessa época começa sua consolidação como repórter esportivo, e posteriormente é homenageado ao ter seu nome escolhido para ser o nome oficial do estádio do Maracanã.
Na segunda série do ginásio, em 1926, foi expulso do colégio batista, na Tijuca, por rebeldia. Contestava muito os professores, principalmente de português e história.
À medida que entrava na adolescência, ficava cada vez mais melancólico, mais depressivo, sentado pelos cantos e dizendo: "Eu sou triste!"
Nelson inicia sua carreira jornalística em 19 de dezembro de 1925, como repórter de polícia, ganhando 30 mil réis por mês. Tinha treze anos e meio, era muito alto e magro. Embora filho do patrão, não teve regalias e ainda comprou calças compridas para impor respeito. O jovem rapaz impressiona os colegas de trabalho pelo talento de dramatizar pequenos acontecimentos. Especializou - se em descrever pactos de morte entre namorados, tão comuns naquela época.
No dia 27 de Dezembro de 1929, vê seu irmão Roberto Rodrigues atender à mulher que havia estampado a primeira página do jornal, em um caso de desquite, e levar um tiro na altura do estômago. Nelson vê e ouve tudo aquilo. A primeira cena de violência brutal em sua frente. O seu irmão faleceu dois dias após o incidente.
Um profundo luto abateu - se sobre a família. E o escritor chorava desconsolado.
pouco mais de dois meses após a tragédia, é a vez do pai de Nelson, que sofre uma trombose cerebral . Morre dias depois, de encefalite e hemorragia. Diante tantas desgraças em família, torna - se insuportável ali viver e mudam - se para outra casa.
A família Rodrigues tem seu segundo jornal fechado após a revolução de 1930, por apoiar Júlio Prestes e fazer críticas aos rebeldes da época. Pouco tempo depois, Mário, Nelson e Joffre vão trabalhar n"O Globo", sob o comando de Roberto Marinho.
Diagnosticado com tuberculose em 1934, segue para Campos do Jordão para tratamento. Foi a primeira da série de seis internações. A tuberculose leva seu irmão Joffre em 1936, aos 21 anos de idade.
Casa - se em 1940. No mesmo ano perde 30% da visão em sequela da tuberculose.
Por dificuldades financeiras, começa a escrever teatro. Sua primeira peça, "A mulher sem pecado" entra em cena após muita insistência e luta. A repercussão do público foi quase nenhuma, mas lhe rendeu bons elogios de críticos da época.
Em Janeiro de 1943, escreveu "Vestido de noiva" e enviou - a aos amigos. Um dos que receberam foi Manuel Bandeira. Apesar das inúmeras críticas positivas, não conseguia encená -la. Um diretor polonês agrada - se e resolve investir. Após oito meses de ensaios diários, finalmente no dia da estréia, o teatro está lotado, e ao fim, os atores agradecem ao público em meio a uma enxurrada de aplausos.Nelson não é visto por ninguém. Estava no camarote, lutando contra a dor de uma úlcera. Justifica - se dizendo que sentiu - se "um marginal da própria glória".
Em 1944 recebe a proposta de tornar - se diretor de Detetive e de O Guri. Aceita. Nessa mesma época escreve dois folhetins: Suzana Flag e Meu destino é pecar. Devido ao sucesso, logo após o lançamento de duas edições especiais do mesmo, lança Escravas do amor.
Nelson escreve "Álbum de família", reprovada pela censura em 1946. As opiniões dividiram - se a respeito do rumo da peça. Acabou que mesmo por proibida, sendo liberada apenas em 1965 e chegando aos palcos pela primeira vez em 1967.
"Anjo Negro" foi outro sucesso de publicação, mas não menos polêmico. Estreou em 1948 e permitiu a Nelson a aquisição de sua casa própria. "Senhora dos afogados" também é proibida em 1948. Com duas peças interditadas, acaba por escrever "Dorotéia", considerada por muitos sua obra prima teatral.
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quarta-feira, 29 de agosto de 2012
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Assim são...
A metamorfose ou os insetos interiores ou o processo
Composição: Fernando Anitelli
O teatro mágico
"Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
De qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos variadas raízes radicais,
Ramificações das célula rainha.
Desprovidos de asas, nem voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam - se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
Repousam - se no lodo.
Lactobacilos vomitados sonhando espermatozoides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega - se de maestra -los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
Das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Nãos reproduzem. São inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios, e nas somas dos desagravos greves e desapegos,
Esquecem - se de si.
Pontuam - se.
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam - se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada, o que parece bem visto e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam - se no holocausto da subserviência.
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo,
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro,
Caem.
Desacordam todos os dias.
Não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam. Não alma. Já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.
Clica (:
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
As formas do amor.
Pra mim as músicas com referências à bissexualidade apareceram efetivamente quando "I kissed a girl", da Katy Perry tornou - se sucesso, mas isso não significa que foi o marco inicial, eu apenas não tinha me dado conta...
Esses dias, em meio a uma calorosa discussão a respeito de verdadeiras pérolas de grandes compositores Brasileiros (isso não foi uma ironia), ele me mostra Flor da idade, de Chico Buarque. Ok, nenhuma surpresa, a não ser o fato da atenção no refrão cantado de forma rápida que não nos deixa perceber que a 'quadrilha' em si é muito mais enrolada do que a escrita por Carlos Drummond de Andrade.
A quadrilha de Carlos é linear, enquanto a de Chico retrata a descoberta da sexualidade pelos jovens e faz com que a sua dança dê voltas e mais voltas, num bailar infinito...
Outra diferença é que o primeiro mostra o desfecho dos personagens, enquanto o outro nada diz a respeito...
Há quem fale que há uma clara menção ao incesto, mas isso eu deixo ao critério do leitor.
Vamos conferir?
A quadrilha
Carlos Drummond de Andrade
"João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para um convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou - se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.
Flor da idade
Composição: Chico Buarque
Chico Buarque.
"A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria.
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia.
A porta dela não tem tramela,
A janela é sem gelosia.
Nem desconfia...
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor...
N hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família.
A armadilha.
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha.
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha.
Que maravilha.
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor.
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua.
A gente sua.
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua.
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua.
E continua.
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor...
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa
Que amava Paulo que amava Juca que ama Dora que amava...
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita
Que amava dito que amava Rita que amava...
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto
Que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda quadrilha!
Que amava toda quadrilha!"
Quer ouvir? Já sabe, é só clicar!
Esses dias, em meio a uma calorosa discussão a respeito de verdadeiras pérolas de grandes compositores Brasileiros (isso não foi uma ironia), ele me mostra Flor da idade, de Chico Buarque. Ok, nenhuma surpresa, a não ser o fato da atenção no refrão cantado de forma rápida que não nos deixa perceber que a 'quadrilha' em si é muito mais enrolada do que a escrita por Carlos Drummond de Andrade.
A quadrilha de Carlos é linear, enquanto a de Chico retrata a descoberta da sexualidade pelos jovens e faz com que a sua dança dê voltas e mais voltas, num bailar infinito...
Outra diferença é que o primeiro mostra o desfecho dos personagens, enquanto o outro nada diz a respeito...
Há quem fale que há uma clara menção ao incesto, mas isso eu deixo ao critério do leitor.
Vamos conferir?
A quadrilha
Carlos Drummond de Andrade
"João amava Teresa que amava Raimundo
Que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
Que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para um convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou - se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
Que não tinha entrado na história.
Flor da idade
Composição: Chico Buarque
Chico Buarque.
"A gente faz hora, faz fila na vila do meio dia
Pra ver Maria.
A gente almoça e só se coça e se roça e só se vicia.
A porta dela não tem tramela,
A janela é sem gelosia.
Nem desconfia...
Ai, a primeira festa, a primeira fresta, o primeiro amor...
N hora certa, a casa aberta, o pijama aberto, a família.
A armadilha.
A mesa posta de peixe, deixe um cheirinho da sua filha.
Ela vive parada no sucesso do rádio de pilha.
Que maravilha.
Ai, o primeiro copo, o primeiro corpo, o primeiro amor.
Vê passar ela, como dança, balança, avança e recua.
A gente sua.
A roupa suja da cuja se lava no meio da rua.
Despudorada, dada, à danada agrada andar seminua.
E continua.
Ai, a primeira dama, o primeiro drama, o primeiro amor...
Carlos amava Dora que amava Lia que amava Léa
Que amava Paulo que amava Juca que ama Dora que amava...
Carlos amava Dora que amava Rita que amava Dito que amava Rita
Que amava dito que amava Rita que amava...
Carlos amava Dora que amava Pedro que amava tanto
Que amava a filha que amava Carlos que amava Dora que amava toda quadrilha!
Que amava toda quadrilha!"
Quer ouvir? Já sabe, é só clicar!
sexta-feira, 10 de agosto de 2012
C'est la vie!
Bem, hoje o que me faz parar por aqui é uma bela canção. Uma canção que me traz bons sentimentos, sentimentos 'azuis'.
Que me lembra felicidade, praia (apesar de não ser lá muito adepta), amor, aconchego mesmo.
E pra melhorar ainda mais a situação, essa bela canção ainda foi composta por um ilustre conterrâneo, e posso dizer que provavelmente ninguém a interpretaria de maneira mais suave que o próprio: Alceu Valença!
Há algum tempo fui pesquisar um pouco sobre a incógnita que projeta - se na letra da música?
Quem seria a tal moça dos olhos anil? Quem é essa que foi considerada por ele a mais bela de toda cidade? Quem é a merecedora de tal blues?
Existem várias versões, que remetem desde Brigitte Bardot, passando por "foi pra minha mãe" até chegar no filme Belle du jour (para saber um pouco mais, clique!).
A verdade é que só o próprio Alceu saberá o que foi que aconteceu... Mas enquanto isso dá pra se divertir com a imaginação fértil das pessoas aqui.
La belle du jour.
Composição: Alceu Valença.
Auceu Valença.
"Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem.
E a moça no meio da tarde de um domingo azul.
Azul, era Belle du jour, era a bela da tarde.
Seu olhos azuis como a tarde,
Na tarde de um domingo azul.
La belle du jour!
Belle du jour!
Oh, oh!
Belle du jour!
La belle du jour era a moça mais linda de toda cidade,
E foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro blues.
Mas belle du jour no azul viajava.
Seus olhos azuis como a tarde,
Na tarde de um domingo azul.
La belle du jour!"
Que me lembra felicidade, praia (apesar de não ser lá muito adepta), amor, aconchego mesmo.
E pra melhorar ainda mais a situação, essa bela canção ainda foi composta por um ilustre conterrâneo, e posso dizer que provavelmente ninguém a interpretaria de maneira mais suave que o próprio: Alceu Valença!
Há algum tempo fui pesquisar um pouco sobre a incógnita que projeta - se na letra da música?
Quem seria a tal moça dos olhos anil? Quem é essa que foi considerada por ele a mais bela de toda cidade? Quem é a merecedora de tal blues?
Existem várias versões, que remetem desde Brigitte Bardot, passando por "foi pra minha mãe" até chegar no filme Belle du jour (para saber um pouco mais, clique!).
A verdade é que só o próprio Alceu saberá o que foi que aconteceu... Mas enquanto isso dá pra se divertir com a imaginação fértil das pessoas aqui.
La belle du jour.
Composição: Alceu Valença.
Auceu Valença.
"Eu lembro da moça bonita da praia de Boa Viagem.
E a moça no meio da tarde de um domingo azul.
Azul, era Belle du jour, era a bela da tarde.
Seu olhos azuis como a tarde,
Na tarde de um domingo azul.
La belle du jour!
Belle du jour!
Oh, oh!
Belle du jour!
La belle du jour era a moça mais linda de toda cidade,
E foi justamente pra ela que eu escrevi o meu primeiro blues.
Mas belle du jour no azul viajava.
Seus olhos azuis como a tarde,
Na tarde de um domingo azul.
La belle du jour!"
terça-feira, 31 de julho de 2012
Caminho do vento.
Mais um poema de Thiago Oliveira, um bardo.
Este também pertence ao Volume 8 - Sobre o ciclo e os organismos.
"Eu sou
Cílio solto
No rosto
Do outro.
Pousado,
Descrente.
Eu sou
Cílio solto
Dos outros.
Do olho,
Soltei - me
Contente.
Eu sou cílio solto
Na face da gente.
Eu peso.
Não sente?"
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Amar de verdade.
Creio eu que alguém que visite esse badulaque aqui já percebeu que sou uma grande entusiasta do amor.
Sim, sou daquelas que perde alguns minutos do seu dia pensando no amor... (Que coisa piegas!)
Tanto é que estava pensando em grandes símbolos do amor, e não pude deixar de lembrar desse belo soneto.
O Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes, em minha opinião, traduz o amor em sua essência.
Considero um ato de extrema seriedade ofertar o soneto a outra pessoa.
Ok, mandar via e_mail não é nada romântico, mas a partir do momento que os lábios movimentam - se e as palavras que fluem constituem o Soneto, a coisa muda de figura.
Sempre tive comigo que o dia que me dispusesse a dizer o soneto pra alguma pessoa, esse seria um dos passos mais importantes da minha vida, e eu realmente amaria a este ser de todo meu coração.
Soneto da Fidelidade - Vinícius de Moraes.
De tudo ao meu amor serei atendo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê - lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pensar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto é uma composição poética de quatorze versos, geralmente distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. O número de sílabas é variável, sendo a métrica decassílaba a mais frequente. No último verso, geralmente, encontra - se a ideia central do poema, ou deve - se encerrá - lo de maneira a causar encanto ou surpresa.
Sim, sou daquelas que perde alguns minutos do seu dia pensando no amor... (Que coisa piegas!)
Tanto é que estava pensando em grandes símbolos do amor, e não pude deixar de lembrar desse belo soneto.
O Soneto da Fidelidade, de Vinícius de Moraes, em minha opinião, traduz o amor em sua essência.
Considero um ato de extrema seriedade ofertar o soneto a outra pessoa.
Ok, mandar via e_mail não é nada romântico, mas a partir do momento que os lábios movimentam - se e as palavras que fluem constituem o Soneto, a coisa muda de figura.
Sempre tive comigo que o dia que me dispusesse a dizer o soneto pra alguma pessoa, esse seria um dos passos mais importantes da minha vida, e eu realmente amaria a este ser de todo meu coração.
Soneto da Fidelidade - Vinícius de Moraes.
De tudo ao meu amor serei atendo
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê - lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pensar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto é uma composição poética de quatorze versos, geralmente distribuídos em dois quartetos e dois tercetos. O número de sílabas é variável, sendo a métrica decassílaba a mais frequente. No último verso, geralmente, encontra - se a ideia central do poema, ou deve - se encerrá - lo de maneira a causar encanto ou surpresa.
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