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segunda-feira, 22 de julho de 2013

Be God.

Peguei - me pensando em uma conversa que há muito tive com alguns colegas...
Todos falavam a respeito do arrebatamento que viria para levar as pessoas boas para o céu.
Como sempre, fiquei alheia a conversa e, quando necessário, emitia algum comentário sem qualquer entusiasmo.
Falavam também a respeito de atitudes que tornavam as pessoas impuras e indignas da 'salvação'.
Cada um com seus conceitos. Cada um dizendo o que era imperdoável para Deus. Cada um assumindo o papel de Deus.
Eu continuei calada.
Não quero amar a um Deus que me permita condenar o outro e continue me amando com todo o ódio e repúdio que sinto ao condenar.
Não quero amar a um Deus ao qual tenha que temer primeiramente.
Eu quero amar ao universo e nele vê - Lo refletido.
Pois se Deus criou o amor, criou também as diversas formas de amar.
Quero ser livre objeto de Sua criação e não subjugar o meu semelhante.
Por que entre o homem e os céus existe muito mistério.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Dark clouds.

Acontece que estou pesada demais para ficar em silêncio; Pesada demais para escrever.
Nada, nada nessa vida compara - se a frustração de decepcionar as pessoas que você ama, mesmo que o resultado dependa de uma série de fatores, combinações.
Acima de tudo quando o resultado depende muito de você.
E o que está por vir?
E os risos amargos de decepção de quem apostava as fichas em você? As apostas sempre são altas...
E o que eu perdi? O que eu os fiz perder?
A vida tem que seguir, essa é a única coisa da qual consigo me recordar... Eles me disseram isso em algum momento, mas eu bloqueei.
Meu peito enche - se de angústia quando penso neles e nos tiros que dispararam em vão por mim.
Eu só queria pedir desculpas, mas não tenho forças para isso.
Eu só queria dizer que sinto muito e que faria as coisas da melhor maneira possível, se pudesse.
É árduo combater as lágrimas, a dor e a frustração, mas elas estão descritas nas regras como consequências quase obrigatórias.
Não há o que ser feito...
Infelizmente, não posso voltar esse capítulo para tentar, novamente, entender como o jogo funciona. Já participo dele há alguns anos...
#Status da UPE: Tente outra vez...

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Está preta desde já...


100 vezes Nelson - Parte III

Nesse momento ficou claro que o problema era o 'nome' do autor. Sua novela seguinte, "Sonho de amor", em 1964, seu nome aparece, mas como uma adaptação de "Tronco de Ipê", de José de Alencar. Sua última novela foi "O desconhecido".
Após ser recusada por muitas atrizes, "Toda nudez será castigada" estréia em 21 de junho de 1965 e é um grande sucesso. Os artistas aplaudidos de pé, os ingressos são disputados. Fica em cartaz por seis meses e depois sai em excussão pelo Brasil. Em três anos a peça parra pelo Rio, São Paulo, Porto Alegre e Salvador, até que é proibida em Natal - RN.
Vai para a TV Globo em 1966. No programa Noite de Gala, apresentava o quadro A cabra vadia, onde fazia entrevistas.
É chamado por Lacerda, onde é informado da criação da editora Nova Fronteira. Lacerda pede - lhe um livro e entrega - lhe um cheque de dois milhões de cruzeiros. Ele escreveu "O casamento". Quando Lacerda leu o livro, atordoou - se. Era um carnaval se incestos e perversões às vésperas de um casamento. O livro publicado pela editora Eldorado vende cerca de 8.000 exemplares nas duas primeiras semanas de Setembro de 1966, ficando empatado com "Dona flor e seus dois maridos", de Jorge Amado. É nessa época que seu irmão Mário Filho falece, o que o impede de fazer a divulgação de seu livro por um tempo. Quando reanimou - se, o livro teve sua venda proibida pelo Ministro da Justiça. A venda só volta a ser liberada em Fevereiro de 1967.
Para o Correio da Manhã escreve as suas "Memórias" que tem suas estréia no dia 18 de fevereiro de 1967 em grande estilo. É um grande êxito.
Álbum de família  que estava interditada desde 1946 só é liberada 21 anos depois, em julho de 1967, quando é encenada e, apesar do carrossel de incestos, é aplaudida de pé.
Em O Globo volta a publicar "À sobra das chuteiras imortais" e "As confissões" (já que não podia usar Memórias). A primeira "Confissão" foi publicada em 04 de dezembro de 1967.
Em 1970, aos 57 anos luta para tirar da prisão alguns amigos que acabaram lá por conta do regime ditatorial. Já cansado e sentindo - se sem espaço, por conta das enfermeiras em sua casa que cuidam de sua filha (que no parto sofreu por falta de oxigenação e acabou com paralisia cerebral), resolve separar - se de Lúcia, o que ocorre sem traumas.
Logo em seguida vai morar com Maria Helena, que era 35 anos mais nova que ele.
Em 1972, seu filho Nelsinho é um dos terroristas mais procurados pelas forças armadas. É apanhado no mesmo ano. Anteriormente Nelson consegue a permissão para que ele saia do país com o então presidente, Médici. O rapaz não aceita tal privilégio. Por todo seu prestígio com os militares, o autor sempre foi muito procurado para ajudar pessoas que se viam em apuros com o regime. De 1969 a 1973 ele teve participação na localização, libertação e fuga de diversos prisioneiros acusados de crimes políticos. Após a prisão do filho, começa a batalha para encontrá - lo e mante - lo vivo, pois a tortura estava desenfreada.
Nelson escreve "Anti - Nelson Rodrigues" no fim de 1973. Em 1974, a peça tinha boa aceitação do público. Ao fazer alguns exames, é levado às pressas para São Paulo e faz uma cirurgia por conta de um aneurisma na aorta. Ao todo são duas intervenções, quase morreu. Retornou ao Rio e, apesar de terminantemente proibido pelo médico, voltou a fumar. Em abril de 1977 é internado com uma arritmia ventricular grave e nova insuficiência respiratória. Elza volta para a casa e passam a viver juntos novamente.
Escreveu sua última peça, "A serpente" em meados de 1979, pouco antes de seu filho Nelsinho iniciar uma greve de fome, com a finalidade de tornar a anistia ampla e irrestrita. No dia 23 de agosto, dia de aniversário do autor, Nelsinho é autorizado a deixar a prisão para assistir ao nascimento da filha. No dia 16 de outubro sai a liberdade condicional, mas o filho não pode ver o pai, que se encontrava inconsciente no Hospital pró - cardíaco.
Nelson Rodrigues faleceu na manhã de 21 de dezembro de 1980, um domingo. No fim daquela tarde ele faria treze pontos na loteria esportiva, em uma aposta conjunta com seu irmão Augusto e com os amigos de O Globo. Dois meses depois, Elza cumpre seu pedido, de, ainda em vida, gravar seu nome ao lado do dele na lápide, sob a inscrição: "Unidos para além da vida e da morte. É só"


"Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura.
Nunca fui outra coisa.
Nasci menino, hei de morrer menino.
E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica ficcionista.
Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico"


Fontes: 


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

100 vezes Nelson - Parte II

Em 1949 Nelson segue para o "Diário da noite", abandona o pseudônimo feminino Suzana Flag e parte para Myrna, agora respondendo cartas de leitoras.
Estréia Dorotéia em 07 de março de 1950. Com medo da censura, não assina o texto. A platéia dividida fica ao final, com a metade onde estavam os convidados aplaudindo efusivamente e a outra parte que sai em silêncio. A peça fica em cartaz por 13 dias.
No mesmo ano sai dos Diários Associados e fica aguardando por convites de outros jornais. No ano seguinte vai para a Última hora e "A vida como ela é...". Em junho estréia uma nova peça, "Valsa n° 6", que fica 4 meses em cartaz e torna - se outra decepção para o autor.
Nelson recebe o convite de escrever uma coluna diária sobre um fato real, com o título de "Atire a primeira pedra", mas o autor sugere "A vida como ela é...". Sugestão aceita. O sucesso foi estrondoso. Em 1951 relança Suzana Flag em "O homem proibido".
A famosa frase "Toda mulher gosta de apanhar. Todas não, só as normais" Surge a partir de um caso em sua vizinhança, onde um homem cansado de tanta humilhação por parte da esposa, no meio da rua, deu -lhe uma sova cinto. Quanto mais ele batia, mais o incentivavam a bater. O espanto foi a mulher, que prostrou - se aos pés do homem aos beijos, e a partir de então, passou a desfilar de braços dados ao seu lado, toda orgulhosa.
Em 08 de julho de 1953 entra em cartaz "A falecida". Chamada de tragédia carioca, era na verdade uma comédia que foi escrita em apenas 26 dias. Lançou também na mesma época o último folhetim de Suzana Flag, "Flan".
"Senhora dos afogados"  sobe aos palcos no Rio, em 1954. Mais uma vez a platéia divide - se. Parte grita "Gênio", e outros, aos berros, "Tarado". Nelson reagem, e grita do tablado: "Burros! Burros!"
"Perdoa - me por me traíres" também tem parte censurada e sofre cortes. Trás uma surpresa na estréia: Nelson interpreta Raul. Mais uma vez as vaias e aplausos tomaram conta do mesmo espaço, e ele não se faz de rogado, rebatendo: "Burros! Zebus!". De repente, um tiro! Um vereador em questão saca uma arma e dá um tiro para amedrontar alguém que o chama de palhaço. O tumulto instaura - se. No dia seguinte, a peça é interditada de vez.
Em 13 de setembro do mesmo ano é a vez de "Viúva, porém honesta". Especula - se que nela o autor tentava atingir aos críticos da sua obra anterior.
Dercy Gonçalves estréia Dorotéia em São Paulo. Ficou um mês em cartaz. Nelson não gostava dos 'cacos' que a atriz introduziu no texto.
A próxima peça é "Os sete gatinhos" em 1958. Apesar de satirizar o presidente da época, Juscelino Kubitschek, Nelson vai até ele pedir um emprego. Consegue o cargo de tesoureiro de um instituto de aposentadorias e pensões. É reprovado em um exame de visão. Pede, então, a vaga para sua esposa. Juscelino queria agradar a Mário Filho e a nomeia.
Após cirurgia de risco para a retirada da vesícula, fica três meses sem publicar sua coluna. A manchete esportiva  fica fora do ar de Novembro de 1958 a Março de 1959.
De agosto de 1959 a Fevereiro de 1960, o público acompanha a história de Engraçadinha e sua família em "Asfalto selvagem". Foram publicados dois livros, intitulados "Engraçadinha - Seus amores e seus pecados dos doze aos dezoito" e "Engraçadinha - Depois dos trinta".
"Boca de ouro" surge novamente da junção de seus fatos cotidianos com a realidade da época, por conta de um motorista de ônibus que gabava - se por ter todos os dentes de ouro juntamente com o bicheiro do submundo carioca, Arlindo Pimenta.
Como todas as demais, a peça também sofre com a censura. É um fracasso em São Paulo. No Rio, com a troca dos atores que estrelavam o papel principal, foi um grande sucesso.
Em 1960 entrega "Um beijo no asfalto", que estava há um mês e meio em cartaz quando Jânio Quadros sai da presidência. Percorre o Brasil por cerca de 7 meses e provoca a saída de Nelson da Última Hora, pelas referências pouco positivas à imagem do jornal. Volta para  O diário da noite  com "A vida como ela é..."  e dez meses depois parte para O Globo em uma coluna esportiva.
Separa - se de Elza dois anos após conhecer Lúcia Cruz Lima. No almoço de despedida, a sua ex - esposa tenta suicidar - se.
Estreou "Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas ordinária." que ficou por 4 meses em cartaz. Só não se conforma pelo amigo Otto não ter ido assistir ao espetáculo.
Escreveu para Walter Clarck a primeira novela Brasileira, "A morte sem espelho", que ,apesar de grande elenco, não obteve sucesso por conta do horário, o das 23:30 hrs. Posteriormente passou para às 22:00 hrs. De nada adiantou. Foi convidado a encerrá - la rapidamente.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

100 vezes Nelson - Parte I

100 anos sem ter envelhecido - 100 anos de Nelson Rodrigues no último 23 de Agosto. Dia que marca o centenário do Shakespeare brasileiro: um grande leitor da alma humana.
Com uma extensa obra que falou de amor, futebol, política, paixão, fidelidade, infidelidade... e também um grande profeta de grandes transformações no Brasil.
O que Nelson Rodrigues faria se estivesse vivo hoje?
Essa é a pergunta que fica.
Como viveria Nelson no mundo 'atual'? Como encararia as mudanças ocorridas desde 1980, ano de sua morte?
Nascido na cidade do Recife - PE (meu conterrâneo!) em 23 de agosto de 1912. Muda - se para o Rio de Janeiro ainda na infância, com apenas 4 anos de idade.
Passou a frequentar a escola aos sete anos, e desenvolveu a leitura de forma muito rápida. Em 1920, algo marcou a infância do escritor: um concurso de redação, onde todos deveriam escrever sobre um tema livre e a melhor seria lida em voz alta, perante toda a classe. A professora quase vai ao chão com a composição do autor, que relatava a história de um adultério. "O marido chega em casa, vê a mulher nua na cama e o vulto de um homem pulando a janela e sumindo na madrugada. O marido pega uma faca e liquida a mulher. Depois ajoelha - se e pede perdão. Apesar de todo espanto causado ao corpo docente, não teriam como não reconhecer o talento do jovem.  Houve um "empate" e então a outra redação foi lida.
Presenciava muitas discussões dos pais causadas pelos ciúmes que o genitor sentia da mãe. Uma fuga para ele, foram os livros. No início, lia romances leves, mais logo foi partindo para leituras mais 'pesadas'.Os autores eram bem distintos, mas no fundo, os livros falavam de uma coisa só: A morte punindo o sexo ou o sexo punindo a morte.
O autor sentia falta do pai, muito envolvido com a política e o jornalismo. O irmão de Nelson, Mário filho, nessa época começa sua consolidação como repórter esportivo, e posteriormente é homenageado ao ter seu nome escolhido para ser o nome oficial do estádio do Maracanã.
Na segunda série do ginásio, em 1926, foi expulso do colégio batista, na Tijuca, por rebeldia. Contestava muito os professores, principalmente de português e história.
À medida que entrava na adolescência, ficava cada vez mais melancólico, mais depressivo, sentado pelos cantos e dizendo: "Eu sou triste!"
Nelson inicia sua carreira jornalística em 19 de dezembro de 1925, como repórter de polícia, ganhando 30 mil réis por mês. Tinha treze anos e meio, era muito alto e magro. Embora filho do patrão, não teve regalias e ainda comprou calças compridas para impor respeito. O jovem rapaz impressiona os colegas de trabalho pelo talento de dramatizar pequenos acontecimentos. Especializou - se em descrever pactos de morte entre namorados, tão comuns naquela época.
No dia 27 de Dezembro de 1929, vê seu irmão Roberto Rodrigues atender à mulher que havia estampado a primeira página do jornal, em um caso de desquite, e levar um tiro na altura do estômago. Nelson vê e ouve tudo aquilo. A primeira cena de violência brutal em sua frente. O seu irmão faleceu dois dias após o incidente.
Um profundo luto abateu - se sobre a família. E o escritor chorava desconsolado.
pouco mais de dois meses após a tragédia, é a vez do pai de Nelson, que sofre uma trombose cerebral . Morre dias depois,  de encefalite e hemorragia. Diante tantas desgraças em família, torna - se insuportável ali viver e mudam - se para outra casa.
A família Rodrigues tem seu segundo jornal fechado após a revolução de 1930, por apoiar Júlio Prestes e fazer críticas aos rebeldes da época. Pouco tempo depois, Mário, Nelson e Joffre vão trabalhar n"O Globo", sob o comando de Roberto Marinho.
Diagnosticado com tuberculose em 1934, segue para Campos do Jordão para tratamento. Foi a primeira da série de seis internações. A tuberculose leva seu irmão Joffre em 1936, aos 21 anos de idade.
Casa - se em 1940. No mesmo ano perde 30% da visão em sequela da tuberculose.
Por dificuldades financeiras, começa a escrever teatro. Sua primeira peça, "A mulher sem pecado"  entra em cena após muita insistência e luta. A repercussão do público foi quase nenhuma, mas lhe rendeu bons elogios de críticos da época.
Em Janeiro de 1943, escreveu "Vestido de noiva"  e enviou - a aos amigos. Um dos que receberam foi Manuel Bandeira. Apesar das inúmeras críticas positivas, não conseguia encená -la. Um diretor polonês agrada - se e resolve investir. Após oito meses de ensaios diários, finalmente no dia da estréia, o teatro está lotado, e ao fim, os atores agradecem ao público em meio a uma enxurrada de aplausos.Nelson não é visto por ninguém. Estava no camarote, lutando contra a dor de uma úlcera. Justifica - se dizendo que sentiu - se "um marginal da própria glória".
Em 1944 recebe a proposta de tornar - se diretor de Detetive e de O Guri. Aceita. Nessa mesma época escreve dois folhetins: Suzana Flag e Meu destino é pecar. Devido ao sucesso, logo após o lançamento de duas edições especiais do mesmo, lança Escravas do amor.
Nelson escreve "Álbum de família", reprovada pela censura em 1946. As opiniões dividiram - se a respeito do rumo da peça. Acabou que mesmo por proibida, sendo liberada apenas em 1965 e chegando aos palcos pela primeira vez em 1967.
"Anjo Negro" foi outro sucesso de publicação, mas não menos polêmico. Estreou em 1948 e permitiu a Nelson a aquisição de sua casa própria. "Senhora dos afogados"  também é proibida em 1948. Com duas peças interditadas, acaba por escrever "Dorotéia", considerada por muitos sua obra prima teatral.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Assim são...


A metamorfose ou os insetos interiores ou o processo
Composição: Fernando Anitelli
O teatro mágico

"Notas de um observador:
Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
De qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos variadas raízes radicais,
Ramificações das célula rainha.
Desprovidos de asas, nem voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam - se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
Repousam - se no lodo.
Lactobacilos vomitados sonhando espermatozoides que não são.
Assim são os insetos interiores.
A futilidade encarrega - se de maestra -los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
Das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.
Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa: A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Nãos reproduzem. São inférteis, infiéis, infertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas, 
Cortam os troncos,
Urinam nos rios, e nas somas dos desagravos greves e desapegos,
Esquecem - se de si.
Pontuam - se.
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam  - se assim:
Na morte e na merda.
Seus sintomas?
Um calor gélido ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: O que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada, o que parece bem visto e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam - se no holocausto da subserviência.
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo,
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro,
Caem.
Desacordam todos os dias.
Não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam. Não alma. Já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.



sexta-feira, 17 de agosto de 2012

De olhos bem abertos...

"E eu sentia uma pontada de loucura quando pensava no quanto gostava de atravessar faixas de pedestres lotadas.
Ali - no clássico preto e branco - tantas vidas interceptavam - se...
Pessoas de mais variados nomes, gostos, rostos, formas, problemas e etnias.
Pessoas que por algum motivo faziam uso do seu direito de ir e vir num dia que poderia ser outro qualquer.
E então eu tentava invadir - lhes a mente.
No que pensavam? Será que tinham muitas preocupações? Quais eram seus destinos?
Ainda haveria esperança de começos ou tristeza de finais em seus corações? Alguém daquele grupo de pedestres alcançou a felicidade?
E a mente por aí vaga por centenas de sentenças...
Quantas pessoas morreram enquanto meus dedos pinotam as teclas que fazem surgir letras em frente a mim? Quantos beijos foram dados? E os bebês, será que pararam de nascer só por que penso em seus nascimentos?
"Que menina tola e com questionamentos tolos!" Conclui agora.
Mas a verdade é que minha mente é um formigueiro e a cada momento, a cada novo sopro de ideia, cenas cinematográficas surgem diante dos meus olhos sem que o mundo possa enxergar.
Minha mãe me chama sonhadora, e talvez eu seja mesmo, por que um mundo sem sonhos deve ser escuro e vazio"

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Just the same.

Little Boxes
Artista: Malvina Reynolds 
Malvina Reynolds 

Caixinhas sobre a encosta.
Caixinhas feitas de ticky tacky.
Caixinhas sobre a encosta.
Pequenas caixas - todas iguais.
Há uma verde e uma cor - de - rosa,
E uma azul e uma amarela.
E todas elas são feitas de ticky tacky.
E todas elas parecem simplesmente iguais.
E as pessoas nas casas,
Todas elas foram para a universidade,
Onde foram postas em caixas
E saíram todos iguais.
E há médicos e advogados
E executivos de negócios.
E são todos feitos de ticky tacky.
E todos eles parecem simplesmente iguais.
E todos eles fazem curso de golf
E bebem seus martínis secos.
E todos eles tem bonitas crianças.
E as crianças vão à escola.
E as crianças vão para o acampamento de verão,
E então para a universidade,
Onde são postam em caixas,
E saem todas iguais.
E os garotos entram para os negócios.
E se casam e constroem uma família
Em caixas feitas de ticky tacky.
E todas parecem simplesmente iguais.
Há uma verde e uma cor - de - rosa.
E uma azul e uma amarela.
E todas elas são feitas de ticky tacky.
E todas elas parecem simplesmente iguais.


Ticky tacky é uma expressão colonial inglês, que significa material barato, de má qualidade, nesse caso, de construção de casas.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

I Have No Fear.

"Pessoa do dia,
Não acostume - se...
Só por hoje.
Energias misturadas sufocam - me.
A verdade, a grande verdade é que todos esses sorrisos me embrulham o estômago.
Tosa essa falsa amistosidade...
Me encontro em uma cova de leões sedentos por minha desgraça.
Por me verem arder no inferno..."

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Objetivos.

A necessidade era insana de escrever, então, "O Pequeno Príncipe" alugou - me espaço na folha e acabei colando esse manifesto para comigo mesta a respeito do vestibular na porta do meu guarda - roupa, assim, todas as manhãs quando estiver arrumando - me para seguir até a escola, poderei ler e então, relembrar do meu contrato pessoal.
E por que não dar mais espaço pra esse lado vestibulanda que precisa imediatamente 'cair' na UFPE?
A partir das filosofias que sobrepuseram o Principezinho, surgiu o Livros e Lágrimas., meu segundo blog.
Desabafos mesmo, afinal o caminho é árduo e íngreme, mas a recompensa é a mais valiosa!

"Por que eu acordo todos os dias?
Eu tenho minhas metas, e elas fazem - me levantar da cama e buscar progredir.
E como eu vou conseguir isso?
Estudando!
Só assim, vou conquistar meus sonhos.
O que é verdadeiramente importante é nunca desistir, mesmo sabendo que a jornada é a mais dura.
Sei que vou fraquejar, e por muitas vezes, pensar em jogar tudo para o alto, mas isso não irá me dominar, pois serei invadida pelos futuros sentimentos de vitória.
Só cresce quem busca, quem vai arás, por que nada vez do céu.
Vou perseguir meus desejos, por mais altos e distantes que eles pareça.
"- Quem acredita, sempre alcança"
Vestibular 2013 - UPE e UFPE"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mostra tua cara.

Algo te sufoca?
Acabe com isso!
Palavras não ditas, medos não enfrentados, rotina que te prende: Corra!
Ou então a morte chega, te pega pelo pé e te leva.
E você?
Ah, não há volta...
Reclamar? de que adianta reclamar se você não movimenta - se?
Palavras saem de sua boca mas seus membros estão estatelados, lá, na frente de uma televisão.
Logo você, logo eu, que acha/ acho que as coisas não vem dando certo...
Logo eu, eu que reclamo por que a cidade não é boa o suficiente...
Mas o que eu faço pra me encontrar nesse mundão de meu deus?
Nada!
Parada sempre, na frente de um computador ou televisão.
Mórbida, uma juventude, meu reflexo, que é acomodada com seus fast food.
Juventude que têm causas, mas não luta.
Onde ficaram os "filhos da revolução, os burgueses sem religião, o futuro da nação"?
Acredito que junto com a passeata dos 100 mil...
Jovens parados, sedentários.
Que revoltam - se sim, logo quando vêem um caso absurdo na tela, no conforto de suas casas, em meio ao sensacionalismo dos jornais, que existe, mas passa.
Então escândalos, falcatruas e tudo que traz a indignação some.
O mundo globalizado nos encaminha a essa postura, mas me sinto extremamente incomodada com as coisas que vejo e penso logo que uma geração que ia as ruas e lutava ficou num passado remoto.
Se fizer isso hoje, taxada como louca ei de ser, pois como já diz aquela velha história, "uma andorinha só não faz verão".
Consciência, arbitrariedades não podem passar despercebidas.
Já não somos o mesmo Brasil no qual jovens que possuíam o mínimo de informação sobre as políticas internas do governo e ainda sim criaram uma ideologia que lutou e derrubou uma forma opressora de poder.
Não somos mais o Brasil que invadiu as ruas até o impeachment de Collor.
Um Brasil parado, de juventude que resolve suas questões no twitter, "xingando muito".
Como gritou Renato Russo: "Que país é esse?"
É a po*** do Brasil!

domingo, 23 de janeiro de 2011

E eu, o que faço com essas cores?


A vida de um daltônico não é fácil.
Por vezes as pessoas acham que é mentira, mas sim, eu não consigo enxergar bem certas escalas de cores.
Ok, dizer que não diferencio certas escalas é amenizar a situação.
O pré - escolar e o jardim da infância? Pesadelos.
Pintando o céu de roxo...
Aulas de arte do ensino fundamental... Agradecia por que quase todas eram teóricas, ou então tinha que usar a velha tática:
"Me empresta teu lápis verde?" O ruim era a resposta, que quase sempre vinha em forma de: "Pega ai"
Ou então: "Tu viu meu lápis vermelho?" tudo pra pessoa procurar e entregar a você, pelo simples fato de você não diferenciar.
Qual a função de caixas de lápis de cor com mais de 50 cores?
Por respeito, pelo menos, os lápis deveriam ser etiquetados com o nome da pigmentação, pra evitar as idas à secretaria da escola por pintar a bandeira do Brasil de roxo...
O tempo foi passando, veio a integração com a internet. Mundo globalizado.
Combinação de cores em sites que impossibilita a leitura do maldito texto.
Messenger? Sufoco! As cores do status não facilitam em nada. Nunca vejo mudança alguma.
Pra saber se alguém está 'disponível', 'ausente', 'ocupado' ou o que diabos seja, tenho que abrir a janela de conversa.
E ainda tem aqueles que nos pedem pra digitar letras coloridas que ficam em contraste com fundo mais coloridos ainda...
Eu não vejo nada! Até parece teste de daltonismo.
Acredito que nunca sejamos levados em conta na era digital...
Minha mãe? Dizia que era manha, bobagem...
Quando fui fazer um teste mais específico no oculista, com bolinhas coloridas, veio a confirmação: Daltônica.
Então todas as bandeiras do Brasil, céus e mares em roxo, troncos de árvore em vermelho e folhagens em marros (eu nunca conseguir ver o marrom! Me falam que é quase um preto, só que mais avermelhado... é cor de lama... mas eu não vejo a lama marrom...) e quase atropelamentos por "não respeitar o semáforo" fizeram sentido.
Causa? Despigmentação ocular e falha em cones perceptivos em certas cores com a entrada de luz.
Sendo garota, caso raro, já que dois cromossomos 'X' teriam que ter a mesma característica do daltonismo, enquanto para os homens, um só os basta.
Invejo as pessoas que conseguem ver 10 tons de azul. Adoro azul, mas às vezes não consigo enxergar um tom apenas, sequer.
Aula de química com substâncias: Eu agradeço por ter uma perdida. Nunca consigo ver a maldita substância ficar rosa ou qualquer cor que o professor diz que ela ficou.
Aulas de geografia com mapas: infelizmente, legendas de mapas exigem muitas cores.
Profissões também excluem daltônicos...
Nunca poderei ser Engenheira Elétrica, Piloto de avião, Gráfica Industrial, Geóloga, Química...
Tenho problemas com a compra de roupas. Tenho de ir sempre acompanhada. Para evitar problemas, prefiro tons neutros, meu guarda roupa é praticamente composto por preto, branco e tons de cinza.
Já comprei tênis achando que era branco, mas na verdade era rosa. Camisetas roxas jurando que era azul. Vermelho achando que era verde.
Essas cores: Azul, roxo, violeta, lilás, rosa... Há diferença entre elas?
E o tronco da árvore, como assim, não é vermelho?
Felicidade extrema é quando consigo identificar 3 cores no arco - íris, que são 7.
O amarelo, sempre vejo. O vermelho, verde, anil e violeta, nunca vi.
Anil, violeta e rosa, acho que parece com o azul ou o roxo, o que me deixa confusa.
Dá pra decorar as cores do objetos pra tentar não errar e ainda fazer um jogo de cores, como:
'Se eu vejo azul no lugar de roxo, tudo que eu ver azul, na verdade é roxo.' Nem sempre isso funciona. Quase nunca, na verdade.
Jogos de futebol + Um dautônico perdido = Coisa impossível de assistir...
Brasil x Holanda? Quem não estava de verde, ali?
A maior desilusão da minha vida? Fanta Laranja não é amarela e Fanta uva não é vermelha! Isso mudou totalmente a minha visão de mundo!
Não, na verdade, a segunda decepção foi a Fanta.
A primeira foi o papai noel...
Pra mim, o papai noel sempre foi ecologicamente correto... Usa verde, defende a natureza!
Carta de motorista? Nunca poderei tirar... 
Como já mencionado, problemas com as cores do sinal de trânsito...
Atravessar a rua?
Já perdi as contas das vezes que ia queimando o sinal... 
Tantas e tantas e tantas.
Agora espero no mínimo 3 carros pararem ou sigo o fluxo de pessoas.
De certo, algumas não, muitas vezes tenho vergonha de não conseguir ver as cores, e então digo que as enxergo, tento fingir...
Agora, lido mais abertamente com esse assunto, já não me assusta tanto, pois percebo que posso ter uma vida normal.
Mas o pior de tudo, são as perguntas que fazem:

-Você é Daltônica, sério?
-Você nasceu daltônica? (Não, bati a cabeça tanto na parede, que isso afetou a minha visão. Em um dia, o céu era azul, no outro, ficou roxo...)
-Esse problema te afeta muito? (Claro, nem saio de casa...)
-Você vê tudo em preto e branco?
- Qual a cor de WTF? (Sempre tem essa de perguntar a cor de alguma coisa, e quando você erra, acham que você está mentindo.)

Coisas que provavelmente você vai me ouvir dizer:

-Eu não vejo o mundo em tons de cinza.
-Eu sei que a grama e a folhagem das árvores são verdes, e os troncos marrons... Mas eu não vejo isso.
-Esse mundo tem cor demais.

E por favor, nunca, nunca peça pra um daltônico:

-Que ele compre roupas coloridas (É, a essa modinha bizarra, corremos o risco de aderir sem querer. Tons neutros já!)
-Que ele corte o fio vermelho de uma bomba.
-Que ele aperte um botão verde.
-Que ele adivinhe a cor da blusa do ser mais próximo.
-Que interprete mapas ou gráficos coloridos.

Esse é o meu mundo descoberto...
Nem o blogger ajuda, com suas cores!

sábado, 1 de janeiro de 2011

Sociedade: Mal do século

Society - Eddie Vedder
Composição: Jerry Hannan


"Oh, é um mistério para mim.
Nós temos uma ambição que concordamos.
E você pensa que você tem que querer mais do que precisa.
Até você ter tudo, você não estará livre.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Quando você quer mais do que tem,
Você pensa que precisa.
E quando você pensa mais do que você quer,
Seus pensamentos começam a sangrar.
Acho que preciso encontrar um lugar maior,
Pois quando você tem mais do que imagina, 
Você precisa de mais espaço.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.

Sociedade, realmente louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Tem aqueles achando, mais ou menos, que menos é mais,
Mas se menos é mais, como você mantém um placar?
Quer dizer que pra cada ponto que faz, seu nível cai.
É como começar do topo.
Você não pode fazer isso.
Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, realmente louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Sociedade, tenha piedade de mim.
Espero que não fique brava se eu discordar.
Sociedade, realmente louca.
Espero que não esteja solitária sem mim."


Letra original aqui.
Às vezes, por hábito, queremos mais do que realmente precisamos. E para conquistarmos o que achamos que nos é necessário, esquecemos valores e criamos novos conceitos para nosso favorecimento. Este sim, é o mal do século.

Imagem do filme: Into The Wild (Na Natureza Selvagem) 
Happiness is only real when shared. (A felicidade só é verdadeira quando é partilhada.)