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terça-feira, 11 de outubro de 2011

Se Fosse Só Sentir Saudade...

Hoje, debutamos a morte de Renato Russo.
15 anos sem um dos maiores poetas da música nacional.
A legião cresce. A cada geração surgem mais e mais adeptos.
E enquanto houver um "legionário", enquanto aqueles três famosos acordes forem reproduzidos, enquanto a voz do Russo ecoar, a chama de uma Geração Coca - Cola permanecerá acesa.

Tempo Perdido.
Composição: Renato Russo
Legião Urbana.

"Todos os dias quando acordo, 
Não tenho mais o tempo que passou.
Mas tenho muito tempo.
Temos todo tempo do mundo...
Todos os dias, antes de dormir,
Lembro e esqueço como foi o dia.
Sempre em frente...
Não temos tempo a perder...
Nosso suor sagrado é bem mais belo
Que esse sangue amargo.
E tão sério.
E selvagem! Selvagem!
Selvagem...!
Veja o sol dessa manhã tão cinza.
A tempestade que chega é da cor dos teus olhos...
Castanhos!
Então me abraça forte,
E diz mais uma vez que já estamos...
Distantes de tudo!
Temos nosso próprio tempo...
Temos nosso próprio tempo...
Temos nosso próprio tempo...
Não tenho medo do escuro,
Mas deixe as luzes
Acesas agora.
O que foi escondido, 
É o que se escondeu.
E o que foi prometido,
Ninguém prometeu.
Nem foi tempo perdido...
Somos tão jovens...
Tão jovens...
Tão jovens...!"

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Mostra tua cara.

Algo te sufoca?
Acabe com isso!
Palavras não ditas, medos não enfrentados, rotina que te prende: Corra!
Ou então a morte chega, te pega pelo pé e te leva.
E você?
Ah, não há volta...
Reclamar? de que adianta reclamar se você não movimenta - se?
Palavras saem de sua boca mas seus membros estão estatelados, lá, na frente de uma televisão.
Logo você, logo eu, que acha/ acho que as coisas não vem dando certo...
Logo eu, eu que reclamo por que a cidade não é boa o suficiente...
Mas o que eu faço pra me encontrar nesse mundão de meu deus?
Nada!
Parada sempre, na frente de um computador ou televisão.
Mórbida, uma juventude, meu reflexo, que é acomodada com seus fast food.
Juventude que têm causas, mas não luta.
Onde ficaram os "filhos da revolução, os burgueses sem religião, o futuro da nação"?
Acredito que junto com a passeata dos 100 mil...
Jovens parados, sedentários.
Que revoltam - se sim, logo quando vêem um caso absurdo na tela, no conforto de suas casas, em meio ao sensacionalismo dos jornais, que existe, mas passa.
Então escândalos, falcatruas e tudo que traz a indignação some.
O mundo globalizado nos encaminha a essa postura, mas me sinto extremamente incomodada com as coisas que vejo e penso logo que uma geração que ia as ruas e lutava ficou num passado remoto.
Se fizer isso hoje, taxada como louca ei de ser, pois como já diz aquela velha história, "uma andorinha só não faz verão".
Consciência, arbitrariedades não podem passar despercebidas.
Já não somos o mesmo Brasil no qual jovens que possuíam o mínimo de informação sobre as políticas internas do governo e ainda sim criaram uma ideologia que lutou e derrubou uma forma opressora de poder.
Não somos mais o Brasil que invadiu as ruas até o impeachment de Collor.
Um Brasil parado, de juventude que resolve suas questões no twitter, "xingando muito".
Como gritou Renato Russo: "Que país é esse?"
É a po*** do Brasil!

domingo, 24 de abril de 2011

Não tem fim a loucura do coração humano...

Strani Amori
Composição: R. Buti, Cheopi, M. Marati, A. Valsiglio
Renato Russo / Legião Urbana

"Me desculpe, mas devo ir embora.
Eu sabia que era uma mentira.
Quanto tempo perdido atrás de você, 
Que promete e nunca muda.
Estranhos amores que nos colocam em problemas,
Mas, na realidade, somos nós.
E na espera de um telefonema,
Brigando para que esteja livre,
Com o coração no estômago
E um nó na garganta.
Ali sozinho, dentro um arrepio,
Mas porque ele não está.
E são estranhos amores 
Que nos fazem crescer e sorrir
Entre lágrimas.
Quantas páginas para escrever.
Sonhos livres para dividir.
São amores normais a esta idade
Que se confundem dentro da alma.
Que se interroga sem se decidir
Se é um amor para nós.
E quantas noites perdidas a chorar
Relendo aquelas cartas
Que não consigo jogar fora.
No labirinto da nostalgia,
Grandes amores que terminam,
Mas porque ficam no coração?
Estranhos amores que vão e vem.
Nos pensamentos se escondem.
Histórias verdadeiras que nos pertencem,
Mas se perdem com nós.
Amores estranhos, frágeis.
Prisioneiros, livres.
Amores estranhos que nos colocam em problemas,
Mas, na realidade, somos nós.
Amores estranhos, frágeis.
Prisioneiros, livres.
São amores estranhos que não sabem viver.
E nós estamos perdidos dentro de nós.
Me desculpe, mas devo ir embora.
Desta vez é uma promessa.
Por que eu quero um amor verdadeiro.
Sem você."

Letra Original.

sábado, 19 de março de 2011

Desabafo.

Clarisse
Compositor: Renato Russo
Legião Urbana


"Estou cansado de ser vilipendiado,
Incompreendido e descartado.
Quem diz que me entende,
Nunca quis saber.
Aquele menino foi internado numa clínica.
Dizem que por falta de atenção dos amigos,
Das lembranças...
Dos sonhos que se configuram tristes e inertes.
Como uma ampulheta imóvel.
Não se mexe.
Não se move. 
Não trabalha.
E Clarisse está trancada no banheiro.
E faz marcas no seu corpo com seu pequeno canivete.
Deitada no canto,
Seus tornozelos sangram.
E a dor é menor do que parece.
Quando ela se corta,
Ela se esquece
Que é impossível ter da vida calma e força.
Viver em dor,
O que ninguém entende.
Tentar ser forte a todo e cada amanhecer.
Uma de suas amigas já se foi.
Quando mais uma ocorrência policial.
Ninguém me entende, 
Não me olhe assim, 
Com esse semblante de bom samaritano.
Cumprindo seu dever,
Como se eu fosse doente.
Como toda essa dor fosse diferente,
Ou inexistente...
Nada existe pra mim,
Não tente.
Você não sabe e não entende.
E quando os anti-depressivos e os calmantes não fazem mais efeito.
Clarisse sabe que a loucura está presente.
E sente a essência estranha do que é a morte.
Mas esse vazio,
Ela conhece muito bem.
De quando em quando é um novo tratamento.
Mas, o mundo continua sempre o mesmo.
O medo de voltar pra casa à noite.
Os homens se esfregam nojentos,
No caminho de ida e volta da escola.
A falta de esperança e o tormento
De saber que nada é justo e pouco é certo,
E que estamos destruindo o futuro.
E que a maldade anda sempre aqui por perto.
A violência e a injustiça que existe contra todas as meninas
E mulheres.
Um mundo onde a verdade é o avesso,
E a alegria já não tem mais endereço.
Clarisse está trancada no seu quarto, 
Com seus discos e seus livros,
Seu cansaço.
Eu sou um pássaro.
Me trancam na gaiola,
E esperam que eu cante como antes.
Eu sou um pássaro.
Me trancam na gaiola,
Mas, um dia , eu consigo existir
E voar pelo caminho mais bonito.
Clarisse só tem 14 anos..."

Letra original.


Os dias "Clarissianos" chegam e nos abalam as estruturas...
Sim, eles existem, para alguns...

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre a saudade

Muitos tentaram descrevê - la, cada um ao seu modo de sentir.
Mas o que seria esse sentimento atormentador que nos comprime o peito?
Vejamos o que já foi dito:


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas, às vezes, a saudade é tão profunda, que a presença é pouco: Quer - se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice Lispector.)


"Saudade é solidão acompanhada.
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficam para trás, 
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: Aquela que nunca amou.
Esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
Passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido"
(Pablo Neruda.)


"A saudade é um parafuso,
Que quando a rosca cai,
Só entra se for torcendo, 
Porque quando bate, não vai.
Mas quando enferruja dentro,
Nem distorcendo, não sai."
(Raul Seixas.)


"Oh, pedaço de mim!
Oh, metade afastada de mim!
Leva o teu olhar,
Que saudade é o pior tormento.
É pior que o esquecimento,
É pior do que se entrevar."
(Chico Buarque de Holanda.)


"Se fosse só sentir saudade...
Mas, tem sempre algo mais.
Seja como for,
É uma dor que dói no peito.
Pode rir agora, 
Que estou sozinho.
Mas, não venha me roubar..."
(Renato Russo.)


"Saudade é não saber. 
Não saber o que fazer com os dias que ficam mais compridos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."
(Martha Medeiros.)


"Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora.
Seria muito simples acenar um 'tchau' e contentar - se com as memórias, com  o passado.
Saudade não é ausência.
É presença, é tentar viver no presente.
É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua.
Saudade são todas as coisas que estão lá para dizer que não, que a pessoa não foi embora.
Muito pelo contrário: Ela ficou, e de lá não sai.
A ausência ocupa tempo. Ocupa espaço. Ocupa a cabeça. Até demais.
E faz com que a gente invente coisas, nos leva tão próximo da total loucura quanto é permitido, para quem em cujo prontuário. lê - se "sadio".
Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos.
Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo.
É o transtorno intermitente e perene de implorar por 'um pouco mais'."
(Lucas Silveira.)


Há uma forma de concerto para todos os tipos de saudade.
Uma reconciliação. Uma lembrança boa muito forte. O som da voz, o deslumbre da face...
Poucas coisas não podem voltar atrás...
Xoxo!