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sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Infinito.

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio,
Ou flechas de cravos que propagam o fogo;
Te amo como se amam certas coisas obscuras.
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como uma planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo assim, diretamente, sem problemas nem orgulho.
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo que não sou nem és.
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha.
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

- A Dança, Pablo Neruda.

Mais uma sexta - feira que chega ao fim.
Uma sexta feira mortífera (:

domingo, 23 de janeiro de 2011

Los versos más tristes.

"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo:
'A noite está fria, e tiritam, azuis, os astros à distância.
Gira o vento da noite pelo céu e canta.'
Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Eu a quis, e, por vezes, ela também me quis.
Em noites como esta, apertei - a em meus braços.
Beijei - a tantas vezes sob o céu infinito.
Ela me quis, e, às vezes, ela também me queria.
Como não ter amado seus grandes olhos fixos?
Posso escrever os versos mais lindos esta noite.
Pensar que não a tenho.
Senti que já a perdi.
Ouvir a noite imensa, mais profunda, sem ela.
E cai o verso na alma como orvalho no trigo.
Que importa, se não pode o meu amor guardá - la?
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Isto é tudo.
À distância, alguém canta. À distância.
Minha alma se exaspera por havê - la perdido.
Para tê - la mais perto, meu olhar a procura.
Meu coração procura - a.
Ela não está comigo.
A mesma noite faz brancas as mesmas árvores.
Já não somos os mesmos que antes havíamos sido.
Já não a quero, é certo.
Porém, quanto a queria.
A minha voz no vento ia tocar - lhe o ouvido.
De outro. Será de outro.
Como antes de meus beijos.
Sua voz. Seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
Já não a quero, é certo.
Porém, talvez a queira.
Ah! É tão curto o amor, tão demorado o olvido.
Por que em noites como esta,
Eu a apertei em meus braços.
Minha alma se exaspera por havê - la perdido.
Mesmo que seja a última esta dor que me causa, 
E estes versos os últimos que eu lhe tenha escrito."
(Pablo Neruda)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Sobre a saudade

Muitos tentaram descrevê - la, cada um ao seu modo de sentir.
Mas o que seria esse sentimento atormentador que nos comprime o peito?
Vejamos o que já foi dito:


"Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas, às vezes, a saudade é tão profunda, que a presença é pouco: Quer - se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida."
(Clarice Lispector.)


"Saudade é solidão acompanhada.
é quando o amor ainda não foi embora, mas o amado já...
Saudade é amar um passado que ainda não passou, 
É recusar um presente que nos machuca,
É não ver o futuro que nos convida...
Saudade é sentir que existe o que não existe mais...
Saudade é o inferno dos que perderam,
É a dor dos que ficam para trás, 
É o gosto de morte na boca dos que continuam...
Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade: Aquela que nunca amou.
Esse é o maior dos sofrimentos:
Não ter por quem sentir saudades,
Passar pela vida e não viver.
O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido"
(Pablo Neruda.)


"A saudade é um parafuso,
Que quando a rosca cai,
Só entra se for torcendo, 
Porque quando bate, não vai.
Mas quando enferruja dentro,
Nem distorcendo, não sai."
(Raul Seixas.)


"Oh, pedaço de mim!
Oh, metade afastada de mim!
Leva o teu olhar,
Que saudade é o pior tormento.
É pior que o esquecimento,
É pior do que se entrevar."
(Chico Buarque de Holanda.)


"Se fosse só sentir saudade...
Mas, tem sempre algo mais.
Seja como for,
É uma dor que dói no peito.
Pode rir agora, 
Que estou sozinho.
Mas, não venha me roubar..."
(Renato Russo.)


"Saudade é não saber. 
Não saber o que fazer com os dias que ficam mais compridos.
Não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento.
Não saber como frear as lágrimas diante de uma música.
Não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche."
(Martha Medeiros.)


"Saudade não é o que a gente sente quando a pessoa vai embora.
Seria muito simples acenar um 'tchau' e contentar - se com as memórias, com  o passado.
Saudade não é ausência.
É presença, é tentar viver no presente.
É a cama ainda desarrumada, o par de copos ao lado da garrafa de vinho, é a escova de dentes ao lado da sua.
Saudade são todas as coisas que estão lá para dizer que não, que a pessoa não foi embora.
Muito pelo contrário: Ela ficou, e de lá não sai.
A ausência ocupa tempo. Ocupa espaço. Ocupa a cabeça. Até demais.
E faz com que a gente invente coisas, nos leva tão próximo da total loucura quanto é permitido, para quem em cujo prontuário. lê - se "sadio".
Ela faz a gente realmente acreditar que enlouquecemos.
Ela nos deixa de cama, mesmo quando estamos fazendo todas as coisas do mundo. Todas e ao mesmo tempo.
É o transtorno intermitente e perene de implorar por 'um pouco mais'."
(Lucas Silveira.)


Há uma forma de concerto para todos os tipos de saudade.
Uma reconciliação. Uma lembrança boa muito forte. O som da voz, o deslumbre da face...
Poucas coisas não podem voltar atrás...
Xoxo!