sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Infinito.

"Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio,
Ou flechas de cravos que propagam o fogo;
Te amo como se amam certas coisas obscuras.
Secretamente, entre a sombra e a alma.
Te amo como uma planta que não floresce e leva dentro de si, oculta, a luz daquelas flores.
E graças a teu amor vive escuro em meu corpo o apertado aroma que ascendeu da terra.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde.
Te amo assim, diretamente, sem problemas nem orgulho.
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira, senão assim deste modo que não sou nem és.
Tão perto que tua mão sobre meu peito é minha.
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho."

- A Dança, Pablo Neruda.

Mais uma sexta - feira que chega ao fim.
Uma sexta feira mortífera (:

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

I Have No Fear.

"Pessoa do dia,
Não acostume - se...
Só por hoje.
Energias misturadas sufocam - me.
A verdade, a grande verdade é que todos esses sorrisos me embrulham o estômago.
Tosa essa falsa amistosidade...
Me encontro em uma cova de leões sedentos por minha desgraça.
Por me verem arder no inferno..."

sábado, 29 de outubro de 2011

Como Tudo Que É...

Em um sábado iluminado, deixo algumas palavras de Drummond.

Definitivo.


"Definitivo, como tudo que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.
Sofremos por quê?
Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows, livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.
Sofremos não por que nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nada, para namorar.
Sofremos não por que nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender.
Sofremos não por que nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada.
Sofremos não por que estamos envelhecendo, mas porque o fruto está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.
Por que sofremos tanto por amor?
O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por ter conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento tão intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz.
Como aliviar a dor do que não foi vivido?
A resposta é simples como um verso:
'Se iludindo menos e vivendo mais!
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudencia egoísta que nada arrisca, e que, esquivando - se do sofrimento, perdemos também a felicidade.'
A dor é inevitável.
O sofrimento é opcional..."